Unidade de Terapia Intensiva e de Cuidados Intermediários

A Unidade de Terapia Intensiva e de Cuidados Intermediários do Hospital São Paulo da Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina tem como missão essencial prestar assistência a recém-nascidos doentes e, ao mesmo tempo, servir como campo prático de aprendizado para pediatras, enfermeiros e fisioterapeutas que estão se especializando no cuidado a estes pacientes e vão atuar em unidades neonatais de todo país.

Para cumprir esta missão, a Unidade de Terapia Intensiva e de Cuidados Intermediários do Hospital São Paulo conta com 8 leitos de terapia intensiva e 14 leitos de cuidados intermediários e com uma equipe de médicos, enfermeiros e fisioterapeutas em estreita ligação com a Universidade Federal de São Paulo.

Ocorrem na maternidade ligada à unidade cerca de 1000 partos anuais, grande parte deles de alto risco. Assim, dentre os nascidos vivos, 25% tem peso inferior a 2500 gramas (média nacional: 8%); 5% tem peso inferior a 1500 gramas (média nacional: 1%) e 1-2% tem peso ao nascer menor do que 1000 gramas (média brasileira: 0,2%). Afora os prematuros, a unidade tem um movimento de internação elevado de neonatos portadores de malformações congênitas, sendo eles 8 a 10% dos nascidos vivos (média internacional: 3-4% dos nascidos vivos).

Vale lembrar que esta crianças atendidas no serviço têm, em geral, um padrão de malformações complexo, requerendo a intervenção de múltiplos especialistas (cardiologistas, neurologistas, cirurgiões e geneticistas, entre outros) e internações prolongadas. Desta forma, as taxas médias de ocupação, nos últimos 2 anos têm girado ao redor de 120% para os leitos de terapia intensiva e de 80% para os leitos de cuidados intermediários.

Em termos de recursos físicos materiais e humanos específicos para o atendimento dos recém-nascidos, observa-se:

  • A Unidade dispõe de uma área física dividida em 4 salas, duas salas com 4 leitos cada para a assistência aos recém-nascidos criticamente doentes e duas salas com 6 a 8 leitos para os de cuidados intermediários. Este espaço físico constitui-se em um dos grandes problemas da unidade, restringindo, muitas vezes, a capacidade de aceitar novas internações.

  • Em termos de recursos materiais, a unidade conta com equipamento, materiais e medicamentos básicos para assistir os recém-nascidos em suas diversas necessidades. De maneira geral o cuidado intensivo básico tem garantida a disponibilidade de respiradores, monitores, material para acesso venoso central e medicamentos.
    No entanto, diante da missão de prestar assistência aos bebês de acordo com o "estado da arte", nem sempre o mais sofisticado está disponível. Assim, a equipe vem lutando para contar com respiradores mais sofisticados, que ofereçam opções de ventilação assistida para os pacientes que não respondem às estratégias convencionais, com monitores que permitam o controle de outras variáveis além da oxigenação e da freqüência cardíaca, de óxido nítrico para tratar os casos com falta de oxigenação refratária à ventilação convencional, entre vários dispositivos e/ou equipamentos necessários para cuidar de neonatos criticamente doentes.

Quanto aos recursos humanos, os pacientes são cuidados por equipe multiprofissional com médicos neonatologistas sob supervisão contínua de docentes, enfermeiras e técnicas de enfermagem com programa ativo de educação continuada, fisioterapeutas sob supervisão de especialistas, psicólogo para o atendimento familiar, nutricionista e outros profissionais, dependendo do caso clínico em questão. A Unidade de Terapia Intensiva e de Cuidados Intermediários do Hospital São Paulo é pólo formador de profissionais da área de neonatologia, que atuam e se destacam em todo território nacional. Com estes recursos e apesar das limitações, os resultados obtidos em termos de mortalidade neonatal e controle de infecção hospitalar se equiparam aos melhores centros de atendimento neonatal do país. É importante ressaltar que todo este atendimento é prestado via Sistema Único de Saúde, sendo a dedicação, o carinho, a sofisticação e o cuidado da assistência aos bebês independente do nível socioeconômico de suas famílias. No entanto, os resultados obtidos em termos de mortalidade e morbidade intra-hospitalar ainda não são os encontrados em países desenvolvidos. É preciso caminhar especialmente no cuidado ao recém-nascido prematuro extremo com peso inferior a 1000 gramas e é necessário agilizar o cuidado ao bebê portador de malformações, diminuindo o tempo de internação e as complicações associadas a hospitalizações prolongadas. Para atingir estes objetivos, é imprescindível mais sofisticação dos recursos físicos e de equipamentos e materiais necessários para assistir recém-nascidos gravemente doentes.

Unidade de Cuidado Mãe-Canguru

A sala dos prematuros localiza-se na Maternidade do Hospital São Paulo. É constituída de 5 leitos destinados aos prematuros nascidos no próprio hospital, quando estes recebem alta da unidade de terapia intensiva ou de cuidados intermediários. A transferência para essa unidade é feita quando o recém-nascido atinge peso acima de 1200 gramas e encontra-se estável, com respiração espontânea e recebendo basicamente leite para ganho de peso e medicações por via oral.
Na Sala dos Prematuros a mãe pode permanecer 24 horas ao lado de seu filho, podendo alimentá-lo, dar banho, trocar fraldas, administrar medicamentos, etc. Além disso, ela tem a possibilidade de ler livros ou revistas, assistir TV ou filmes em vídeo, ouvir música ou realizar trabalhos manuais. É nessa unidade que foi implantado o Método Mãe Canguru.

O cuidado mãe canguru é um tipo de assistência neonatal definido como contato pele a pele precoce, prolongado e contínuo (conforme as circunstâncias permitam) entre uma mãe e seu recém-nascido de baixo peso, no hospital e mantido após a alta, até pelo menos 40 semanas de idade gestacional pós-natal. A posição canguru consiste em manter o recém-nascido de baixo peso ligeiramente vestido (fralda, touca e meias), em decúbito ventral, na posição vertical, contra o peito do adulto.

O nascimento de um bebê prematuro implica numa separação mãe-bebê precoce e prolongada e mobiliza na mãe sentimentos intensos de culpa e incapacidade, bem como muita apreensão e incertezas sobre o futuro.
O Método Mãe Canguru propicia o desenvolvimento e fortalecimento do vínculo mãe-bebê, resgatando a intimidade perdida pelo nascimento prematuro e pela necessidade de internação do bebê, que freqüentemente é bastante prolongada. Outra conseqüência muito importante é o resgate da confiança da mãe nos cuidados que pode dedicar ao seu filho, enquanto este se encontra na instituição hospitalar.

Vários outros benefícios são descritos com a adoção do Método Mãe Canguru:

    • Evita que o recém-nascido permaneça longos períodos sem estimulação sensorial, melhorando seu desenvolvimento

    • Estimula o aleitamento materno, favorecendo sua maior freqüência, precocidade e duração

    • Melhora o controle de temperatura do recém-nascido

    • Melhora o relacionamento da família com a equipe de saúde

    • Diminui a infecção hospitalar

    • Diminui o tempo de permanência hospitalar.

O Viver e Sorrir – Grupo de Apoio ao Prematuro atua na Sala dos Prematuros por meio da participação das voluntárias na reunião semanal das mães com a equipe de saúde, além de fornecer vales transporte, fraldas e enxovais e renovar o material disponível na sala, para uso das mães.

 


UTI
 





 
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